domingo, 21 de março de 2010

Maybe, yes.

Hoje me disseram logo cedo que eu mereço mesmo é viver sozinha. Será? Talvez sim. Mas poxa essa foi bem forte, não me disseram morar sozinha ou estar só, disseram que eu mreço VIVER sozinha. Fiquei pensando nisto e, depois logo esqueci. Fui ler algumas notícias, pesquisar uns temas, preparar minha aula para mais tarde e meu espírito para encarar o Morumbi mais tarde. Foi quando li, em um dos muitos sites que visitei, que muros não nos protegem, mas nos isolam. Pronto. Foi o suficiente para eu lembrar que mereço viver só. Resolvi pensar sobre o assunto, minha vida, idéias, propósitos, e tudo que eu quero, penso, falo e faço. Cheguei a conclusão que criei um muro enorme, uma comparação entre Muro de Berlim e Muralha da China, separando-me de quem me ama, dividindo o mundo que criei só para mim e o mundo real. Concluí que não aceito ajuda, não ouço conselhos e, na maioria das vezes não me importo com a opinião alheia. Resumindo sou uma cabeçuda mesmo. E tenho consciência disto, o difícil foi descobrir que os outros também tem. É difícil aceitar que você não é exatamente o que pensava ou queria ser, que hoje com quase 23 anos eu ainda vivo dilemas ditos serem exclusivos de adolescentes viverem; que eu não consegui realizar metade dos meus palnos e, que muitos eu nem lembro mais quais são. Mas o mais complicado de tudo é aceitar que as pessoas não são culpadas por alguns fracassos e tropeços meus, que eu sou a única culpada e, a única que deve ser punida por eles. Não adianta eu me esconder dentro de uma caixinha, ou atrás de gigantes muralhas, criar uma fortaleza em volta do meu corpo, pois os problemas que não encontro soluções não estão lá fora, estão aqui dentro de mim. Eles estão em meus pensamentos todos os dias e noites, o tempo todo, são temas de meus sonhos e pesadelos, das minhas conversas comigo mesma, enfim, eles não ficam do lado de fora desta falsa proteção. Hoje, consegui enxergar que a única coisa que realmente fica de fora é a minha ajuda, minha verdadeira proteção.
Há algo tempo aprendi que sofrimentos devem ser sentidos com todo nosso ser e que com o tempo certo ele se vai e em seu lugar fica uma cicatriz para nos lembrarmos e não buscarmos as mesmas coisas ruins que nos fazem sofrer. Então, como eu tinha algumas mágoas muito, muito antigas, desde crianças, talvez algumas delas tenham vindo comido desde a minha concepção, resolvi que era tempo de sofrer por todas elas, juntas, de uma única vez e, que assim ficaria uma única cicatriz em seu lugar. Que boba! Pensar que tudo se resolva com; Ok, vou chorer e sofrer por isto e isto e acabou. A vida não é assim, não funciona como uma máquina que segue um mesmo processo todos os dias, sempre a mesma programação. Às vezes ela até pode seguir um projeto, mas não o meu, disso eu tenho certeza, minha vida não segue o projeto que eu escrevi pra ela. Acredito que minha vida segue o projeto Divino. É sim, não sou hipócrita de dizer que sou católica praticante de todo o CIC, eu nem sei a metade dele, mas sou Católica sim, que acredita que nos tinhamos (e continuamos) tendo uma dívida enome com o Deus Pai Criador e, que jamais poderiamos pagar por ela, por isso Ele enviu seu Filho Jesus para pagar essa dívida com sua própria vida e, acredito em seus ensinamentos e palavras, mas não posso afirmar que as palavras da Bíblia são 100% Deles, pois elas foram remexidas muitas vezes por nós, os devedores, e nós amamos tirar uma coisinha aqui, botar outra acolá, enfim, não vou falar sobre isto agora. Quero apenas dizer que sou Cristã, que tenho fé (bem pouca, preciso ter mais) e, que meu projeto de vida não é meu. Voltando ao assunto principal: eu e meu destino de viver só, quero acrescentar que eu construí esta muralha justamente por não ter o controle sobre a minha vida, evitando assuntos delicados, pessoas, conselhos, evitando gastar a vida, sabe? E, eu deixei tanta coisa de fora, boas e ruins, que quando algumas delas conseguem ultrapassar minha fortaleza eu fico sem ação, sem saber como agir e/ou reagir, me desespero. E este desespero me faz crer que eu não mereço nada, que preciso de uma solução rápida, sem enxergar que muitas vezes é só mais um meio de fugir e aumentar o muro. Não sei lidar bem com emoções fortes, por isto faço de tudo para evitá-las. Fujo de uma paixão, por imaginar que outras cenas se repetirão, e que terei que baixar um pouco a guarda, deixo de viver um amor de um dia ou horas pra não lembrar dele com saudades. Não fui ao velório de um ente querido para sempre imaginar que ele está vivo. Prefiro guardar os defeitos de alguém para não aceitar que até isto me faz falta; para não aceitar que sua perda é algo que eu nunca consegui superar. É... eu prefiro olhar avida pelo lado negativo, esconder minhas emoções, só chorar se for escondido, sem revelar a alguém que tal fato me entristece, tenho medo que alguém consiga achar uma brecha e passar pelo muro.
Escrevendo isto, consegui me lembrar de alguns velhos sonhos, velhos hábitos, me lembei de quando todos me conheciam por estar sempre sorrindo, de bem com a vida, quando eu tinha não uma, mas incontáveis motivações para viver bem. Hoje consigo ter momentos alegres e felizes, mas ets muro ainda me impede de construir uma vida melhor, aceitando o que vier como o melhor, não lutando mais pelo que realmente quero, temendo fazer papel de palhaça na vida, ao invés de vive-la intensamente.

"Eu quero ver o sol atrás do monte
Eu quero ver o brilho que ele traz
Eu quero ouvir de novo a Sua voz!"


Não afirmo que a mudança não seja um bom sinal, apenas estou relendo minha vida atualmente e, consegui ler nas entrelinhas desta vez, vi que desisti de buscar o que quero, que decidi ir levando, deixar como está pra ver como fica, me acostumei e me contento com pouco, quando na verdade eu sempre quis mais. Ouvindo uma música pensei o seguinte: mesmo que esta muralha me faça bem (como eu pensei que fazia, se tudo está certo, então porque a incerteza ainda existe? Porque ainda sinto que há algo muito errado? Acho que esta muralha é bem amior do que eu podia imaginar, e eu tentei deixar de fora até mesmo minha verdadeira essência!

Voltando a minha indagação do começo deste post, será que eu mereço mesmo Viver sozinha? Longe de tudo e todos que eu amo, só por medo de gastar a vida a toa? Talvez eu até mereça, mas em consideração a Amanda dos velhos tempos, eu digo que não quero e, que mesmo que seja a hard work eu não deixarei mais esta muralha me impedir de viver.

PS: todos sabem que esta mudança é difícil e que eu não tenho pó de pirlimpimpim pra mudar td num estalar de dedos, né?

Um comentário:

  1. Eu trabalho revisando textos, mas qdo sou quem escrevo eu nunca reviso antes, qdo vou ver é tarde demais e eu já o publiquei cheio de erros de português. Fazeroque.

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